ÚTERO SEPTADO É A ALTERAÇÃO CONGÊNITA QUE MAIS SE BENEFICIA DA HISTEROSCOPIA CIRÚRGICA

 

O útero é formado pela fusão dos ductos de Müller e alterações no processo de embriogênese, pelo qual o embrião é formado e se desenvolve , podem levar a uma série de malformações uterinas, que, normalmente, podem estar associadas ao abortamento habitual, parto prematuro, apresentações fetais anômalas e infertilidade.

As anomalias uterinas congênitas que resultam de defeitos Müllerianos são os tipos mais comuns de malformações do aparelho reprodutor. Entre os diferentes tipos de anomalias, o útero septado é o mais comum, estando associado a um prognóstico reprodutor ruim, com taxas de sobrevida fetal entre 6 e 28% e uma alta taxa de abortos espontâneos (maior que 60%). Estima-se que entre 10 e 12% das pacientes com útero septado tenham abortamentos de repetição. Sua suspeita diagnóstica normalmente é feito por histerossalpingografia, ultrassonografia ou curetagem uterina.

Antes do desenvolvimento das modernas técnicas de histeroscopia cirúrgica, a correção desses defeitos era feita por laparotomia (corte no abdome), com risco de levar a um alto índice de morbidade e afastamento das atividades laborativas por um prolongado período (4 a 6 semanas). Por isso, esta cirurgia era reservada para quando as pacientes já haviam enfrentado perdas fetais ou sentido o trauma de uma morte neonatal. Com a histeroscopia cirúrgica, a correção da anatomia de seu útero, chamada de septoplastia, pode ser oferecida mesmo para aquelas que ainda não gestaram, sem os agravos da técnica laparotômica.

A histeroscopia permite a observação direta da cavidade uterina e é considerada o melhor método para o diagnóstico de anormalidades intrauterinas, incluindo os septos. Qualquer lesão endometrial pode ser biopsiada e até mesmo retirada. Entretanto, como a histeroscopia não fornece informações da superfície externa uterina, a diferenciação entre o útero bicorno e o útero septado nem sempre é possível. Além disso, não fornece informações sobre as trompas uterinas.

A histeroscopia tem se mostrado superior à histerossalpingografia no diagnóstico de algumas anormalidades intrauterinas, incluindo o septo uterino. Além do mais, o exame permite, em alguns casos, realizar o tratamento concomitantemente ao diagnóstico. Outros exames que ajudam muito no diagnóstico diferencial das alterações uterinas, principalmente entre septo e útero bicorno, são a ressonância magnética pélvica e o ultrassom 3-D.

No pré-operatório

Após uma boa anamnese e exame ginecológico criterioso, considera-se importante a realização de uma histeroscopia diagnóstica para avaliação do defeito a ser corrigido e planejamento do ato cirúrgico. O exame prévio também vai proporcionar uma avaliação da presença ou não de patologias concomitantes, como pólipos, miomas, sinéquias, e também vai dar importantes informações sobre tamanho e formato da cavidade uterina a ser operada.

Independente de toda informação disponível no pré-operatório, uma laparoscopia deve ser realizada imediatamente antes da septoplastia, a fim de se avaliar a exata conformação externa do útero.

Os cuidados no pós-operatório

As pacientes devem ser avisadas que podem ter um fluxo vaginal sanguinolento por até seis semanas. Utiliza-se antibiótico por 3 dias, anti-inflamatórios não esteróides por 6 dias e analgésicos-antiespamódicos para alívio de algumas cólicas uterinas que podem surgir. Além disso, as pacientes são instruídas a reportar qualquer sangramento vaginal de maior intensidade, dor, febre ou corrimento vaginal com odor forte.

Por volta de 8 semanas após o procedimento, é feita uma histeroscopia diagnóstica para avaliação da cavidade. Eventualmente são encontradas pequenas sinéquias velamentosas, que são facilmente desfeitas com a própria ótica. Após o exame, a paciente é liberada para tentar engravidar.

Os resultados

Em quase 100% dos casos, há sucesso na remoção do septo uterino. Em função da facilidade com que o procedimento é realizado, de sua baixa morbidade e bons resultados na correção da anatomia uterina, recomenda-se que a septoplastia seja realizada em todas as pacientes portadoras dessa patologia que pretendam gestar. Com esta medida, pode se fazer a prevenção de boa parte das perdas fetais, que ocorrem com frequência nas pacientes com deformidade da cavidade uterina.

 

Fonte – ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera WWW.clinicagera.com.br

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